Fêmeas castradas antes do primeiro cio têm menor incidência.

Hoje em dia as neoplasias em pequenos animais tem grande relevância no hospital. As neoplasias mamárias em particular tem uma incidência maior em fêmeas da espécie canina e menor incidência na espécie felina.

Nas cadelas, essa neoplasia representa 25 a 50% de todos os tumores diagnosticados, sendo que todas as raças podem ser acometidas e com mais frequência em animais com idade acima dos 10 anos e que foram esterilizadas após vários estros. Em cadelas esterilizadas (castrada) antes do primeiro estro (cio), possuem uma probabilidade de 0,05% de desenvolver neoplasia mamária. Cadelas que foram castradas após ter passado pelo primeiro estro tem uma probabilidade de 8% de desenvolver neoplasia de mama. Já as fêmeas de cães que foram esterilizadas após terem passado pelo segundo estro já tem uma probabilidade de 26% de desenvolver neoplasia de mama, onde 50% dessas neoplasias são malignas.

Nas gatas essa neoplasia mamária representam a terceira neoplasia mais diagnosticada, sendo mais frequente na raça Siamês e com idade entre 10 e 14 anos, de 80 a 96% dessas neoplasias são malignas e extremamente agressivas para espécie.

Em ambas as espécies os fatores de risco mais descritos a estimulação estrogênica, emprego de contraceptivos, alimentação rica em gordura e em gatas além do consumo de gordura a ingestão excessiva de carne vermelha.

Os proprietários devem sempre se manter atentos aos sinais clínicos que seu animal está apresentando, pois em geral os tumores de mamas se apresentam como nódulos circunscritos com dimensões variáveis, podendo ser móveis ou não, o animal também pode apresentar o linfaedema (inchaço nos membros anteriores ou posteriores), associado a isso o animal pode começar a sentir dor e obter uma mudança comportamental, como por exemplo a falta de apetite, desanimo, agressividade entre outros.

Ao notar os sinais clínicos já citados a cima o proprietário deve procurar o seu veterinário para que esse animal tenha um diagnóstico e tratamento adequado, na maioria das vezes este será encaminhado para um veterinário especializado em oncologia que começara a fazer o que chamamos de estadiamento da doença que tem como objetivo avaliar o tamanho do tumor mamário, se há comprometimento de linfonodos regionais e se existe a presença da metástase a distância.

“O estadiamento é feito através de exames físicos e exames complementares como hemograma, ultrasom abdominal, radiografia de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma. A citologia apenas é realizada para descartar a suspeita de carcinoma inflamatório que é um estágio muito avançado da doença e normalmente não recomendamos o ato cirúrgico. Após o estadiamento, determinamos qual será o tratamento mais recomendado para cada animal”, orienta Dra. Camila Ferrari, Oncologista Veterinária do Hospital Veterinário Vet Popular.

O tratamento geralmente se inicia com a remoção completa da formação mais todo o lado da cadeia mamária acometida, a retirada de linfonodos inguinais e axilares, porém quando temos os dois lados da cadeia mamária acometida dividimos essa cirurgia em duas partes, após a recuperação completa do animal pós cirúrgico retiramos a segunda cadeia mamária acometida, sempre dando preferência para o lado que estiver mais comprometido, lembrando sempre que se na primeira cirurgia o animal não for castrado isso deverá ser realizado obrigatoriamente na primeira cirurgia.

Após a cirurgia o material é encaminhado para o histopatológico (biópsia), para obter um diagnóstico definitivo do tipo da neoplasia e além do diagnóstico o histopatológico pode nos fornecer informações adicionais para definirmos protocolo quimioterápico e prognóstico para esse paciente.

“Por fim, o paciente é encaminhado para quimioterapia quando temos um diagnóstico de tumor maligno ou é apenas acompanhado quando o diagnóstico for de um tumor benigno. Após a realização da quimioterapia em pacientes com tumores malignos será necessário o acompanhamento com exames periódicos no período de dois anos”, finaliza Dra. Camila.

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